Teia – a Rede de Cultura do Brasil [Evento]
28.03.06
Na próxima semana, entre os dias 5 e 9 de abril, a Bienal vai sacudir com centenas de apresentações, exposições, documentários e oficinas realizadas por comunidades de todo o país. É a Teia – Rede de Cultura do Brasil que pretende mostrar a diversidade cultural brasileira pelas ações que unem cultura e cidadania nas comunidades de periferia dos grandes centros e em pequenas cidades do interior do país.
De norte a sul, a Teia Cultural vai reunir desde os pequenos grupos de moradores que se juntaram em seus bairros para organizar teatro de rua, grupos de dança, ou qualquer outra ação cultural, até as organizações que já têm destaque no Brasil, como o Projeto Axé, por exemplo, que já rompeu fronteiras com seu reconhecido trabalho de arte-educação.
São grupos de contadores de histórias, hip-hop, samba, coco de umbigada e maracatu, cirandeiros, repentistas, indígenas e remanescentes quilombolas, entre outros, que vão trocar experiências e potencializar suas ações a partir da Teia, na Bienal.
Com entrada franca, o encontro vai receber todos os grupos interessados em participar, que já desenvolvem ou querem desenvolver em suas comunidades ações de cultura, meio ambiente e cidadania.
A idéia é promover um amplo encontro de apoio e troca de experiências e, com isso, realizar o primeiro mapeamento nacional das ações do país que unem cultura e cidadania.
Desenvolvido pelo Ministério da Cultura (MinC), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo SESC-SP, com patrocínio da Petrobras, a Teia conta com o apoio do Sebrae, do Instituto Paulo Freire, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Museu Afro-Brasil.
O evento apresentará ao público exposições de fotografias e artes plásticas; apresentações de dança e teatro; oficinas, sessões de cinema e de audiovisual; eventos literários; e encontros de bonequeiros, artistas circenses, congadeiros, grafiteiros, griôs, mestres de capoeira, reciclagem, repentistas e tambores.
"Na Teia, as comunidades serão os protagonistas de uma grande amostra da produção cultural brasileira", afirma o ministro da Cultura, Gilberto Gil. "A Teia projeta um crescimento econômico ligado ao espiritual e à criatividade do povo brasileiro. É um evento transgovernamental que vai além das dimensões do público e do privado. A Teia trata da dimensão do comum", explicou.
O objetivo do evento é mostrar a cultura nacional que vive e pulsa fora do grandes circuitos e mostrar como a cultura é instrumento fundamental para o enfrentamento dos problemas sociais da atualidade. "Queremos mostrar que respondemos com arte e poesia à violência cometida contra a gente na periferia", conta Sérgio Castro, do Grupo Atitude, localizado na Ceilândia, na periferia do Distrito Federal.
O grupo desenvolve oficinas e apresentações de hip-hop com adolescentes e jovens da comunidade. "Hoje todos sabem que vivemos uma guerra civil. Mas uma comunidade não precisa de cerca, nem de muro, nem de grade. Uma comunidade precisa de liberdade para criar e viver em paz", explica Gustavo Melo, da favela do Vidigal (Rio de Janeiro), ao falar do impacto e da trajetória das ações culturais desenvolvidas em seu bairro pelo grupo Grupo Nós do Morro, como alternativa aos problemas estruturais gerados pelo tráfico e pela violência.
Cultura Viva
A idéia de realizar a Teia foi inspirada no Programa Cultura Viva, desenvolvido pelo Ministério da Cultura. O Programa conta hoje com cerca de 450 Pontos de Cultura no país, que funcionam como centros de produção e difusão cultural nas comunidades das periferias dos grandes centros, nas comunidades quilombolas e ribeirinhas, nos assentamentos rurais e nas aldeias indígenas, entre outras.

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