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segunda-feira, julho 3

Pesquisa de avaliação do Cultura Viva revela 100% de aprovação (MinC)

30.06.06
100% dos Pontos de Cultura aprovam o Cultura Viva

Divulgada primeira pesquisa de avaliação do Programa

O Programa Cultura Viva mal completou dois anos e já apresenta resultados positivos. Para 100% dos Pontos de Cultura, por exemplo, o programa deve continuar nos próximos anos. É o que consta na estatística da primeira pesquisa sobre o Cultura Viva, divulgada esta semana, durante um seminário de avaliação. A pesquisa executada entre dezembro de 2005 e abril deste ano teve como principal objetivo compreender o alcance e o impacto atingidos pelo programa.

A pesquisa foi realizada pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LPP/UERJ) em parceria com a SPPC/MinC. Em primeira mão, o resumo foi apresentado pelo coordenador do LPP, o professor e sociólogo Emir Sader, e o também professor e pesquisador do Laboratório, Pablo Gentili, autor de “Poder Econômico, Ideologia e Educação”, além de “Pedagogia da Exclusão”.

A avaliação mostra que apesar do pouco tempo de existência, o programa já tem o que comemorar. “Todos os contatos que tivemos com os Pontos de Cultura confirmam uma percepção inicial que tínhamos: é o mais importante programa de cultura popular que o Brasil jamais teve”, afirma Emir Sader, autor de “A Vingança da História”, “O Mundo Depois da Queda”, entre outros. Uma das metas do projeto, ampliar e garantir o acesso aos meios de produção e difusão cultural, é satisfatoriamente atingida diante do seguinte dado: 81% dos Pontos de Cultura desenvolvem ações na área de difusão de cultura. “A pesquisa expressa claramente o caráter positivo e inovador do projeto”, completa.

Por falar em difusão cultural, de acordo com a avaliação, 67% dos Pontos têm como estímulo para desenvolverem suas atividades a consciência da falta de acesso das populações locais aos bens e produtos culturais e, para 88% os recursos financeiros do Programa são sua principal fonte de renda na execução de projetos. Esses resultados elucidam que é possível, por meio da iniciativa, conscientizar os participantes sobre a identidade cultural local e situá-los no contexto cultural em que vivem, além de abrir novas possibilidades de trabalho e de geração de renda.

Diante da realidade da população carente, a mais atingida pela exclusão cultural no Brasil, o programa visa alcançar áreas com precária oferta de serviços públicos, e estudantes da rede básica de ensino público – uma meta atingida com balanço positivo, visto que 57% dos participantes moram em áreas rurais ou urbanas com precárias condições de moradia, e 79% são estudantes de escolas públicas. Além disso, 60% desses participantes encontram-se em risco social. É válido ressaltar também que esse público carente é constituído, em sua grande maioria, por jovens: 97% têm entre 16 a 24 anos de idade.

Outra ação do Programa, o Cultura Digital – projeto que permite a população carente disseminar e registrar a diversidade da cultura brasileira com equipamentos multimídia – também mostrou motivação. Dos Pontos de Cultura pesquisados, 45% dispõem de um a cinco computadores com acesso à internet e 66% trabalham com técnicas audiovisuais. Um balanço positivo diante de um país com grande precariedade de acesso aos meios tecnológicos, que facilitam o conhecimento e a difusão de informações.

Os espaços culturais, importantes no processo de expansão da cultura, também não deixam por menos. Das entidades participantes do projeto, 61% realizam visitas a exposições, mostras e shows, 62% contam com bibliotecas e 21% com cinemas. De acordo com Sader, as repercussões manifestadas pelos participantes dos Pontos confirmam a pesquisa, mas sobretudo indicam os efeitos que seus trabalhos começam a mostrar em torno das atividades que desenvolvem. Ele ressalta que não é tarefa fácil. “É difícil começar um projeto ambicioso e tão pertinente quanto este”, avalia.

O método piloto de avaliação consistiu em duas fases de pesquisa: quantitativa e qualitativa. A quantitativa, viabilizada pela internet por meio de questionário eletrônico, contou com 155 perguntas respondidas por coordenadores de 152 Pontos de Cultura. Estes foram selecionados a partir do primeiro edital. Já a segunda fase, a qualitativa, teve como base visitas técnicas de nove pesquisadores à 20 Pontos, nos meses de março e maio deste ano. Os critérios utilizados na seleção dos Pontos para a segunda etapa da pesquisa foram: diversidade regional, conteúdo do projeto, tipo de organização jurídica da entidade, público alvo atendido e disponibilidade de informação. As visitas ocorreram em cinco pontos do Rio de Janeiro, três de Pernambuco, dois da Bahia, cinco de São Paulo, dois do Rio Grande do Sul e um do Amazonas.

“Precisamos formular, para o plano da cultura, algo que Paulo Freire conseguiu formular de maneira extraordinária com a gramática da vida cotidiana das classes populares: orientações para a educação cultural dessas classes, em um projeto formulado por elas mesmas”, analisa Sader. “ Um projeto de alfabetização cultural, uma luta contra o analfabetismo funcional, o analfabetismo cultural”, conclui. O resumo da avaliação está em anexo aqui.

(Kennia Rodrigues)
Assessoria de Comunicação – SPPC-MinC
(61) 3901-3899
[fonte: www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/
cultura_viva/noticias/index.php?p=16759&more=1&c=1&pb=1]