Lan-houses se alastram pelo sertão
Convergência e tecnologia aumentam a comunicação e facilitam golpes eletrônicos
Patrick Brock
Pergunte a um morador de Queimadas (BA, 300 km ao norte de Salvador) onde é que se pode ver e-mails. Ele apontará a Casa Cyber, na rua principal da cidade de 10 mil habitantes. Lá, não se faz ligações interurbanas. "Temos só o Skype", informou o atendente. Numa sala ampla, doze máquinas são ocupadas por esparsos indívíduos jogando games, teclando nos programas de mensagens ou, se você olhar bem, recebendo de volta os dados criptografados da sua conta no banco.
A Junta Comercial do Estado da Bahia contabiliza mais de mil lan-houses no estado, mas desconfia de que possam existir mais - como as bibocas com um computador e uma máquina de xerox. Há quinze anos, elas não existiam. São lugares como estes que estão democratizando o acesso à internet no Brasil. Na capital Salvador, é fácil encontrar cibercafés nos bairros periféricos. Antigos donos de fliperamas converteram-se às novas tecnologias e até disputam espaço na Avenida Suburbana, que liga o centro de Salvador aos bairros populosos em Pirajá.
O crescimento dos golpes na internet é uma das facetas dessa evolução, e traz à tona questionamentos sobre o potencial inerente em programas como o que o governo federal ensaia atualmente. Com base em pesquisas do Laboratório de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e encabeçado por Nicholas Negroponte, foi criado o projeto do PC de US$ 100, com o lema de "um laptop por criança" - um tipo de acordo gigantesco entre diversos fornecedores de equipamentos para baratear ao máximo ocusto da engenhoca, que pode ser energizada com uma manivela. O objetivo de Negroponte e seus colegas é baratear o acesso à informática em países do terceiro mundo. O Brasil estuda adquirir tais máquinas em escala industrial para distribui-las na rede pública de ensino.
Durante um evento anual de voluntariado na escola de uma fundação bancária em Cajazeiras, no 1 de março deste ano, Uéslei Santos, 10 anos, explica como é que o negócio funciona. "Eu vou uma vez por semana na lan-house que fica na rótula (cruzamento). Geralmente no sábado. Custa R$ 2 a hora. Jogo games, warcraft, CS, entro em chat", diz, enquanto espera na fila para a oficina de informática oferecida gratuitamente.
Legislações municipais e estaduais já regulamentam a instalação de lan-houses, enquanto uma proposta de emenda constitucional está tramitando pela câmara dos deputados, sem muita pressa. A lei foi proposta por um deputado paulista, onde foi criada a primeira Associação Brasileira de Lan-house e Cibercafé, e prevê a identificação obrigatória dos usuários, junto com outras medidas como proibir a venda de bebidas ou cigarros. Atualmente, a maioria das casas não cobra identificação dos usuários, embora o Sebrae já ofereça um pequeno manual sobre como abrir um cibercafé e o apresente como uma "oportunidade de negócio".
[fonte: www.overmundo.com.br/overblog/
lan-houses-se-alastram-pelo-sertao]
Patrick Brock
Pergunte a um morador de Queimadas (BA, 300 km ao norte de Salvador) onde é que se pode ver e-mails. Ele apontará a Casa Cyber, na rua principal da cidade de 10 mil habitantes. Lá, não se faz ligações interurbanas. "Temos só o Skype", informou o atendente. Numa sala ampla, doze máquinas são ocupadas por esparsos indívíduos jogando games, teclando nos programas de mensagens ou, se você olhar bem, recebendo de volta os dados criptografados da sua conta no banco.
A Junta Comercial do Estado da Bahia contabiliza mais de mil lan-houses no estado, mas desconfia de que possam existir mais - como as bibocas com um computador e uma máquina de xerox. Há quinze anos, elas não existiam. São lugares como estes que estão democratizando o acesso à internet no Brasil. Na capital Salvador, é fácil encontrar cibercafés nos bairros periféricos. Antigos donos de fliperamas converteram-se às novas tecnologias e até disputam espaço na Avenida Suburbana, que liga o centro de Salvador aos bairros populosos em Pirajá.
O crescimento dos golpes na internet é uma das facetas dessa evolução, e traz à tona questionamentos sobre o potencial inerente em programas como o que o governo federal ensaia atualmente. Com base em pesquisas do Laboratório de Mídia do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e encabeçado por Nicholas Negroponte, foi criado o projeto do PC de US$ 100, com o lema de "um laptop por criança" - um tipo de acordo gigantesco entre diversos fornecedores de equipamentos para baratear ao máximo ocusto da engenhoca, que pode ser energizada com uma manivela. O objetivo de Negroponte e seus colegas é baratear o acesso à informática em países do terceiro mundo. O Brasil estuda adquirir tais máquinas em escala industrial para distribui-las na rede pública de ensino.
Durante um evento anual de voluntariado na escola de uma fundação bancária em Cajazeiras, no 1 de março deste ano, Uéslei Santos, 10 anos, explica como é que o negócio funciona. "Eu vou uma vez por semana na lan-house que fica na rótula (cruzamento). Geralmente no sábado. Custa R$ 2 a hora. Jogo games, warcraft, CS, entro em chat", diz, enquanto espera na fila para a oficina de informática oferecida gratuitamente.
Legislações municipais e estaduais já regulamentam a instalação de lan-houses, enquanto uma proposta de emenda constitucional está tramitando pela câmara dos deputados, sem muita pressa. A lei foi proposta por um deputado paulista, onde foi criada a primeira Associação Brasileira de Lan-house e Cibercafé, e prevê a identificação obrigatória dos usuários, junto com outras medidas como proibir a venda de bebidas ou cigarros. Atualmente, a maioria das casas não cobra identificação dos usuários, embora o Sebrae já ofereça um pequeno manual sobre como abrir um cibercafé e o apresente como uma "oportunidade de negócio".
[fonte: www.overmundo.com.br/overblog/
lan-houses-se-alastram-pelo-sertao]

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