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segunda-feira, novembro 13

Inclusão digital peruana é diferente do que a divulgada na mídia

Notícias

Por Marta Kanashiro, Caxambu (MG)
26/10/2006

Nesta quarta-feira (25), no 30 Encontro da Anpocs, o sociólogo Jean Carlo Faustino apresentou os resultados de uma pesquisa que realizou sobre o programa peruano de inclusão digital. A escolha do Peru deveu-se ao fato de seu expressivo índice de inclusão digital no contexto latino-americano: 51% contra a média de 32% dos demais países, na qual se inclui o Brasil com 31%.

Partindo desse indicador que parecia revelar um ótimo resultado de uma política pública de investimentos e instalações físicas muito mais modestas que o modelo do programa brasileiro, o sociólogo realizou um estudo para conhecer de perto esta realidade que se mostrou um pouco diferente da que era então divulgada pela mídia no Brasil.

Visitando diferentes cidades do interior do Peru e hospedando-se por uma semana no segundo piso de um estabelecimento conhecido como "cabina de acesso internet" (algo próximo das lanhouses brasileiras), o sociólogo descobriu que o sucesso do programa de inclusão digital peruano não decorre de uma política pública de Estado, mas sim, a de uma iniciativa de micro-empreendedores que fundam e administram seus estabelecimentos sem ajuda ou apoio do governo.

O sociólogo também observou que essas cabinas de acesso internet são fundadas, em sua maioria, nas seguintes bases: computadores usados, software pirata e uma sociabilidade informal de troca do conhecimento técnico específico, na qual as pessoas aprendem a utilizar o equipamento e o software na prática. Além disso, há uma realidade social bastante específica que também serviu como promotora da ampliação do número desses estabelecimentos comerciais: a alta taxa de desemprego e um expressivo número de parentes que residem no exterior.

A pesquisa, portanto, revelou que ao contrário do que se pensava, o renomado programa de inclusão digital peruano não era fruto de uma política pública de investimentos do Estado mas da iniciativa de micro-empreendedores, por vezes informais, da sociedade civil.

Por fim, o sociólogo destacou que, embora esta desmistificação tenha sido a principal conclusão de sua pesquisa, também foi possível constatar a existência de programas de inclusão digital promovidos pelo Estado. “Tratam-se de projetos voltados, sobretudo, para a população rural com características bastante singulares e que mereceriam ser alvos de uma pesquisa mais aprofundada”, sugere ele.

[fonte: www.comciencia.br/comciencia/?section=3&noticia=230]