O perfil de usuário de PC no País
INTERNET
LÉO MARQUES
lmarques@grupoatarde.com.br
Pesquisa - as classes de baixa renda ainda estão distantes da inclusão digital, mas se valem das lan house para acessar a Internet
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI, em www.cgi.br/) apresentou, na semana passada, os resultados da segunda pesquisa realizada com o objetivo de traçar o perfil do usuário de computador e internet no País este ano, a TIC Domicílios 2006 (www.nic.br/indicadores/).
Em comparação com o ano passado, Salvador teve uma ligeira queda no número de residências com computador. A média, que era menor do que os 19,3% registrado em nível nacional, ficou em 12,11%. Esse valor é 3% menor do que o encontrado em 2005. “Nessas pequenas diferenças percentuais deve ser levado em conta a margem de erro da pesquisa e o crescimento da população”, explica Mariana Balboni, assessora da CGI e uma das responsáveis pela pesquisa sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação.
“Neste caso, os números podem indicar estabilidade”.
PC EM CASA – No País, a quantidade de domicílios com PC aumentou.
No ano passado, a pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) revelou que 16,6% da população tinha computadores de mesa no Brasil. Esse ano, houve um acréscimo de 2,7%.
O percentual de aumento representa mais 2,09 milhões de domicílios com computador em casa.
Com relação a população, esse incremento fica em 8,17 milhões a mais de pessoas acessando do que no ano passado. As fábricas de informática vão fechar o ano com 12 mil empregados a mais que em 2005. Só a fábrica da HP produziu este ano 200% a mais de notebooks e 100% a mais de desktops do que o ano passado.
NORDESTE – A surpresa no Nordeste ficou mesmo com a capital do Ceará, Fortaleza, que passou de terceiro lugar das capitais do Nordeste, para o primeiro lugar em percentual de computadores em casa. Da primeira pesquisa para essa segunda, a Região Metropolitana de Salvador perdeu uma posição.
A liderança no número de domicílios com PC passou para a Região Metropolitana de Fortaleza, que no ano passado tinha 8,26% e este ano já possui 14,58%.
O percentual de domicílios das regiões metropolitanas que possuem um computador mudou muito do ano passado para este ano. O Distrito Federal perdeu sua posição de líder para Curitiba, que teve um aumento expressivo de 22,87% para 35,77%.
Em São Paulo e Rio de Janeiro, houve uma inversão. A capital paulista, que tinha um percentual maior, ficou atrás do Rio, com uma diferença de mais de cinco pontos percentuais. Se for levar em conta o número de computadores domiciliares, a região metropolitana de São Paulo com certeza ganha disparada de qualquer outra região do país, dada a sua população de mais de 20 milhões de habitantes.
RENDA – Para aqueles que ganham acima de R$ 1.800, o percentual de casas com computador é ainda maior do que a apresentada no ano passado. Na primeira pesquisa 52,46% da população dessa faixa de renda possuíam um PC, hoje esse número chega a 59%.
Mas para quem ganha entre R$ 1.000 e R$ 1.800, o crescimento é mais expressivo. Passou de 22% no ano passado, para 36% este ano, provavelmente levado pela queda nos preços dos computadores. Os números também aumentaram para aqueles que ganham entre R$ 500 a R$ 1.000, passando de 7,27% para 13,73%. Para quem ganha menos, os números se mantiveram estáveis.
É o caso da operadora de Telmarketing, Vanesca Amaral, que ganha menos de R$ 500 e não pode comprar um computador porque no caso dela comprometeria muito o orçamento. Apesar disso, ela tem um computador em casa, dado pelo irmão. "Não funciona muito bem, é muito lento e costuma travar de vez em quando, mas dá pra quebrar o galho", diz.
Para este ano não foram divulgados dados sobre a relação entre nível de escolaridade e posse de computadores. Na pesquisa anterior, esses dados mostraram que 53,78% dos estudantes universitários tinham computador e, no caso de formado, o percentual subiu para 65,95%.
Para dar mais oportunidades as classes mais baixas será criado centrais de reciclagem de computadores para reutilizar mais de 300 mil PCs que são descartados por ano. Esses "elefantes brancos" vão ter suas memórias aumentadas e poderão ser utilizadas por crianças nas escolas públicas ou servir como aprendizado para montagem de peças de hardware.
PORTÁTEIS – Com relação a posse de computadores portáteis e de mão os números são pouco significativos.
Os domicílios com laptop diminuíram de 0,8% para 0,6%.
Para os computadores de mão, chamados de palmtop tiveram uma baixa ainda mais expressiva, passando de 0,4% para 0,09%, uma redução de mais de 0,3%.
Os erros na pesquisa podem chegar a 1,6% em nível nacional.
Para a coleta das informações, a CGI contou com a ajuda do IBGE.
Foram incorporadas 23 perguntas ao questionário do PENAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).
No total foram 10,5 mil domicílios pesquisados. O relatório também se baseou na pesquisa realizada pelo PENAD com mais de 140 mil habitantes. Os resultados divulgados este ano é apenas a primeira parte da pesquisa. No primeiro semestre de 2007 será apresentada a segunda parte. Além do IBGE, o Comitê ainda fez parceria com o Ibope e a Anatel.
Elas estão dispostas a pagar R$ 30 pelo serviço. Atualmente o valor da banda larga no Brasil é de, no mínimo, R$ 60.
A revolução digital ainda passa longe de muita gente. A pesquisa mostra um resultado lamentável quando se pensa no futuro do País.
Mais de 67% dos brasileiros nunca tiveram nenhum contato com a internet. Outro importante motivo pelo qual grande parte da população não tem acesso à rede mundial de computadores é a falta de cobertura por provedores nas pequenas cidades dos estados e nas favelas das grandes cidades.
FAVELAS – Das residências localizadas nas favelas, apenas 7,29% têm acesso a internet. Se Salvador possui um índice baixo, comparado à média nacional, quando se contabiliza o interior da Bahia, os números caem ainda mais e vão para 5%.
Os conjuntos habitacionais ou os locais onde não há favela próxima correspondem a mais de 42% das residências que possuem computador em casa. O percentual de computadores em favelas é de quase 9%. "Essas regiões estão condenadas a desconexão eterna", diz Rogério Santanna, conselheiro da CGI. Para ele as classes A, B e até C continuarão a aumentar o acesso a rede, mas as classes D e E permanecerão com acesso limitado.
Para Rogério, a questão central passa pela educação, já que quanto maior o nível educacional, maior a probabilidade de acesso ao computador e a internet. "É preciso fortalecer a educação básica, massificar a utilização da internet para poder resgatar as zonas escuras", diz.
Em artigo produzido por Carlos Afonso, também conselheiro da CGI, mais da metade dos municípios do País não possuem nenhum serviço de internet, nem de celular. São 21 milhões de habitantes desassistidos.
Em países da Europa, o uso da internet está muito mais disseminado e barato. Na França é cobrado pela banda larga de 2 MB de velocidade um valor de 10 euros. Na Alemanha a velocidade é ainda maior, chegando a 4 MB por 20 euros. Para se ter uma noção, o valor mais baixo que se paga pela banda larga no País é de uma velocidade 300 kbps, sendo que 1MB equivale a 1000 Kbps.
Essa alta velocidade encontrada na internet de países como França e Alemanha ainda por cima diminuem os custos de voz, já que com essa velocidade é possível uma utilização da internet para fazer ligações de qualidade a preços muito mais baixos, utilizando apenas programas de transmissão de voz baixados gratuitamente pela internet.
LÉO MARQUES
lmarques@grupoatarde.com.br
Pesquisa - as classes de baixa renda ainda estão distantes da inclusão digital, mas se valem das lan house para acessar a Internet
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI, em www.cgi.br/) apresentou, na semana passada, os resultados da segunda pesquisa realizada com o objetivo de traçar o perfil do usuário de computador e internet no País este ano, a TIC Domicílios 2006 (www.nic.br/indicadores/).
Em comparação com o ano passado, Salvador teve uma ligeira queda no número de residências com computador. A média, que era menor do que os 19,3% registrado em nível nacional, ficou em 12,11%. Esse valor é 3% menor do que o encontrado em 2005. “Nessas pequenas diferenças percentuais deve ser levado em conta a margem de erro da pesquisa e o crescimento da população”, explica Mariana Balboni, assessora da CGI e uma das responsáveis pela pesquisa sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação.
“Neste caso, os números podem indicar estabilidade”.
PC EM CASA – No País, a quantidade de domicílios com PC aumentou.
No ano passado, a pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) revelou que 16,6% da população tinha computadores de mesa no Brasil. Esse ano, houve um acréscimo de 2,7%.
O percentual de aumento representa mais 2,09 milhões de domicílios com computador em casa.
Com relação a população, esse incremento fica em 8,17 milhões a mais de pessoas acessando do que no ano passado. As fábricas de informática vão fechar o ano com 12 mil empregados a mais que em 2005. Só a fábrica da HP produziu este ano 200% a mais de notebooks e 100% a mais de desktops do que o ano passado.
NORDESTE – A surpresa no Nordeste ficou mesmo com a capital do Ceará, Fortaleza, que passou de terceiro lugar das capitais do Nordeste, para o primeiro lugar em percentual de computadores em casa. Da primeira pesquisa para essa segunda, a Região Metropolitana de Salvador perdeu uma posição.
A liderança no número de domicílios com PC passou para a Região Metropolitana de Fortaleza, que no ano passado tinha 8,26% e este ano já possui 14,58%.
O percentual de domicílios das regiões metropolitanas que possuem um computador mudou muito do ano passado para este ano. O Distrito Federal perdeu sua posição de líder para Curitiba, que teve um aumento expressivo de 22,87% para 35,77%.
Em São Paulo e Rio de Janeiro, houve uma inversão. A capital paulista, que tinha um percentual maior, ficou atrás do Rio, com uma diferença de mais de cinco pontos percentuais. Se for levar em conta o número de computadores domiciliares, a região metropolitana de São Paulo com certeza ganha disparada de qualquer outra região do país, dada a sua população de mais de 20 milhões de habitantes.
RENDA – Para aqueles que ganham acima de R$ 1.800, o percentual de casas com computador é ainda maior do que a apresentada no ano passado. Na primeira pesquisa 52,46% da população dessa faixa de renda possuíam um PC, hoje esse número chega a 59%.
Mas para quem ganha entre R$ 1.000 e R$ 1.800, o crescimento é mais expressivo. Passou de 22% no ano passado, para 36% este ano, provavelmente levado pela queda nos preços dos computadores. Os números também aumentaram para aqueles que ganham entre R$ 500 a R$ 1.000, passando de 7,27% para 13,73%. Para quem ganha menos, os números se mantiveram estáveis.
É o caso da operadora de Telmarketing, Vanesca Amaral, que ganha menos de R$ 500 e não pode comprar um computador porque no caso dela comprometeria muito o orçamento. Apesar disso, ela tem um computador em casa, dado pelo irmão. "Não funciona muito bem, é muito lento e costuma travar de vez em quando, mas dá pra quebrar o galho", diz.
Para este ano não foram divulgados dados sobre a relação entre nível de escolaridade e posse de computadores. Na pesquisa anterior, esses dados mostraram que 53,78% dos estudantes universitários tinham computador e, no caso de formado, o percentual subiu para 65,95%.
Para dar mais oportunidades as classes mais baixas será criado centrais de reciclagem de computadores para reutilizar mais de 300 mil PCs que são descartados por ano. Esses "elefantes brancos" vão ter suas memórias aumentadas e poderão ser utilizadas por crianças nas escolas públicas ou servir como aprendizado para montagem de peças de hardware.
PORTÁTEIS – Com relação a posse de computadores portáteis e de mão os números são pouco significativos.
Os domicílios com laptop diminuíram de 0,8% para 0,6%.
Para os computadores de mão, chamados de palmtop tiveram uma baixa ainda mais expressiva, passando de 0,4% para 0,09%, uma redução de mais de 0,3%.
Os erros na pesquisa podem chegar a 1,6% em nível nacional.
Para a coleta das informações, a CGI contou com a ajuda do IBGE.
Foram incorporadas 23 perguntas ao questionário do PENAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).
No total foram 10,5 mil domicílios pesquisados. O relatório também se baseou na pesquisa realizada pelo PENAD com mais de 140 mil habitantes. Os resultados divulgados este ano é apenas a primeira parte da pesquisa. No primeiro semestre de 2007 será apresentada a segunda parte. Além do IBGE, o Comitê ainda fez parceria com o Ibope e a Anatel.
Custo alto impede uso da banda larga
Em relação ao acesso à internet rápida, via banda larga, a pesquisa apresentada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, indica que o custo é o maior impedimento para a maioria das pessoas que querem ter conexão veloz de suas residências.Elas estão dispostas a pagar R$ 30 pelo serviço. Atualmente o valor da banda larga no Brasil é de, no mínimo, R$ 60.
A revolução digital ainda passa longe de muita gente. A pesquisa mostra um resultado lamentável quando se pensa no futuro do País.
Mais de 67% dos brasileiros nunca tiveram nenhum contato com a internet. Outro importante motivo pelo qual grande parte da população não tem acesso à rede mundial de computadores é a falta de cobertura por provedores nas pequenas cidades dos estados e nas favelas das grandes cidades.
FAVELAS – Das residências localizadas nas favelas, apenas 7,29% têm acesso a internet. Se Salvador possui um índice baixo, comparado à média nacional, quando se contabiliza o interior da Bahia, os números caem ainda mais e vão para 5%.
Os conjuntos habitacionais ou os locais onde não há favela próxima correspondem a mais de 42% das residências que possuem computador em casa. O percentual de computadores em favelas é de quase 9%. "Essas regiões estão condenadas a desconexão eterna", diz Rogério Santanna, conselheiro da CGI. Para ele as classes A, B e até C continuarão a aumentar o acesso a rede, mas as classes D e E permanecerão com acesso limitado.
Para Rogério, a questão central passa pela educação, já que quanto maior o nível educacional, maior a probabilidade de acesso ao computador e a internet. "É preciso fortalecer a educação básica, massificar a utilização da internet para poder resgatar as zonas escuras", diz.
Em artigo produzido por Carlos Afonso, também conselheiro da CGI, mais da metade dos municípios do País não possuem nenhum serviço de internet, nem de celular. São 21 milhões de habitantes desassistidos.
Em países da Europa, o uso da internet está muito mais disseminado e barato. Na França é cobrado pela banda larga de 2 MB de velocidade um valor de 10 euros. Na Alemanha a velocidade é ainda maior, chegando a 4 MB por 20 euros. Para se ter uma noção, o valor mais baixo que se paga pela banda larga no País é de uma velocidade 300 kbps, sendo que 1MB equivale a 1000 Kbps.
Essa alta velocidade encontrada na internet de países como França e Alemanha ainda por cima diminuem os custos de voz, já que com essa velocidade é possível uma utilização da internet para fazer ligações de qualidade a preços muito mais baixos, utilizando apenas programas de transmissão de voz baixados gratuitamente pela internet.
Nordeste tem pior taxa de acesso
O Nordeste possui o pior índice no Brasil quanto ao acesso à internet nos lares. Apenas 5,5% dos nordestinos têm acesso à rede em casa. Salvador fica com o melhor resultado da região, com 9,8%, embora em nível nacional esse número seja bem maior, chegando a 14,5% ou 13,6 milhões de internautas. Foi o que revelou a pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) entre os meses de julho e agosto desse ano.
No ano passado, o índice da região metropolitana de Salvador era maior, com 13,3%.
O Nordeste revela outro triste dado. Mais de 77% da população nunca teve nenhum contato com a internet. Isso mostra o alto de nível de exclusão digital da população da região, que tem, com exceção do Rio Grande do Norte, mais de 50% da sua população abaixo da linha da pobreza segundo a Fundação Getúlio Vargas.
Mas não ter internet em casa não representa empecilho para muita gente, que busca alternativas como as lan houses, cibercafés ou acessam no trabalho, nos terminais públicos gratuitos (telecentros) e nas escolas.
Por isso os índices de quem usa a internet são maiores do que o de pessoas que tem PC em casa. "O habito vem primeiro, e o computador vem depois", afirma Rogério Santanna, conselheiro do CGI e secretário de Logística e Tecnologia da informação do Ministério do Planejamento. Somente a classe A tem mais computadores do que acesso à internet.
LAN HOUSES E CIBERCAFÉS – Os espaços públicos pagos, utilizados pelos internautas, já se tornaram o segundo maior em acesso de internet no Brasil, com 26%. A maioria das pessoas – 44% – usam a internet em casa. O acesso no trabalho ficou em 24%. A alta frequência nas lan houses e cibercafés, principalmente nas classes D e E, se justifica porque quanto mais baixa é a renda, mais as pessoas vão para os centros públicos.
E no caso dessas pessoas esses são muitas vezes o único meio de acessar a rede.
"A educação é fator fundamental para o aprendizado do uso da internet. Enquanto as classes menos abastadas têm que aprender a mexer na rede através de escolas de informática ou formais, as classes A e B aprendem por conta própria", revela Rogério.
Mais da metade dos domicílios cuja renda está acima de R$ 1.800 tem acesso à internet. Esse índice é 4,5% maior do que o da última pesquisa, revelando um aumento de usuários no Brasil. Levando em consideração a divisão por classes, que tem como critério a educação do chefe da família e a quantidade de utensílios domésticos, a classe B teve um aumento de mais de 3% e a classe C, crescimento de 2%.
"A desigualdade de acesso e posse refletem a desigualdade social do país", diz Mariana Balboni, responsável pela pesquisa das Tecnologias da Informação e da Comunicação. "Quanto maior fatores como renda, escolaridade, melhor local e menor idade, maior a probabilidade de se ter acesso à inter net".
A apresentação dos dados da TIC, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que a baixa no número de internautas nas residências da classe A se deve ao um novo hábito. Em geral, tais pessoas normalmente possuem acesso fácil à internet no trabalho, e por isso não precisam acessar a rede em casa.
Os dados relativos ao tipo de acesso dos usuários da terceira idade não são muito confiáveis, já que o próprio Comitê admite que o número desse tipo de entrevistado é muito reduzido para se chegar a uma conclusão definitiva. O que é possível e quase provável, é que eles acessam mais de casa, já que muitos são aposentados. (LM)
Fonte: Jornal A Tarde, 15/11/2006, Caderno Digital
No ano passado, o índice da região metropolitana de Salvador era maior, com 13,3%.
O Nordeste revela outro triste dado. Mais de 77% da população nunca teve nenhum contato com a internet. Isso mostra o alto de nível de exclusão digital da população da região, que tem, com exceção do Rio Grande do Norte, mais de 50% da sua população abaixo da linha da pobreza segundo a Fundação Getúlio Vargas.
Mas não ter internet em casa não representa empecilho para muita gente, que busca alternativas como as lan houses, cibercafés ou acessam no trabalho, nos terminais públicos gratuitos (telecentros) e nas escolas.
Por isso os índices de quem usa a internet são maiores do que o de pessoas que tem PC em casa. "O habito vem primeiro, e o computador vem depois", afirma Rogério Santanna, conselheiro do CGI e secretário de Logística e Tecnologia da informação do Ministério do Planejamento. Somente a classe A tem mais computadores do que acesso à internet.
LAN HOUSES E CIBERCAFÉS – Os espaços públicos pagos, utilizados pelos internautas, já se tornaram o segundo maior em acesso de internet no Brasil, com 26%. A maioria das pessoas – 44% – usam a internet em casa. O acesso no trabalho ficou em 24%. A alta frequência nas lan houses e cibercafés, principalmente nas classes D e E, se justifica porque quanto mais baixa é a renda, mais as pessoas vão para os centros públicos.
E no caso dessas pessoas esses são muitas vezes o único meio de acessar a rede.
"A educação é fator fundamental para o aprendizado do uso da internet. Enquanto as classes menos abastadas têm que aprender a mexer na rede através de escolas de informática ou formais, as classes A e B aprendem por conta própria", revela Rogério.
Mais da metade dos domicílios cuja renda está acima de R$ 1.800 tem acesso à internet. Esse índice é 4,5% maior do que o da última pesquisa, revelando um aumento de usuários no Brasil. Levando em consideração a divisão por classes, que tem como critério a educação do chefe da família e a quantidade de utensílios domésticos, a classe B teve um aumento de mais de 3% e a classe C, crescimento de 2%.
"A desigualdade de acesso e posse refletem a desigualdade social do país", diz Mariana Balboni, responsável pela pesquisa das Tecnologias da Informação e da Comunicação. "Quanto maior fatores como renda, escolaridade, melhor local e menor idade, maior a probabilidade de se ter acesso à inter net".
A apresentação dos dados da TIC, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que a baixa no número de internautas nas residências da classe A se deve ao um novo hábito. Em geral, tais pessoas normalmente possuem acesso fácil à internet no trabalho, e por isso não precisam acessar a rede em casa.
Os dados relativos ao tipo de acesso dos usuários da terceira idade não são muito confiáveis, já que o próprio Comitê admite que o número desse tipo de entrevistado é muito reduzido para se chegar a uma conclusão definitiva. O que é possível e quase provável, é que eles acessam mais de casa, já que muitos são aposentados. (LM)
Fonte: Jornal A Tarde, 15/11/2006, Caderno Digital

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