Baianos têm acesso ao mundo digital

Com uma infra-estrutura montada de 120 centros públicos de acesso à informática (Infocentros) distribuídos em 56 municípios, mais de um milhão de acessos já realizados e aproximadamente 90 mil pessoas cadastradas, o programa de inclusão digital criado pelo governo baiano é um dos maiores do Brasil. Batizado de Identidade Digital, já possui recursos garantidos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza para sua ampliação em 2006, quando serão entregues novos Infocentros à população de 200 municípios.
O programa foi iniciado com a implantação do seu primeiro Infocentro no município de São Félix, no Recôncavo Baiano, em outubro de 2003. Até junho de 2005, nove destes centros funcionaram de forma piloto, servindo de experiência para que a primeira fase do programa fosse iniciada. No dia 10 de junho, o governador Paulo Souto entregou 100 Infocentros à população baiana. Na ocasião, autorizou a ampliação do programa para mais 200 municípios, totalizando o investimento de mais de R$25 milhões do governo estadual.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Rafael Lucchesi, destaca que o programa deverá atender a aproximadamente um milhão de baianos. “Teremos a possibilidade de chegar a aproximadamente a 500 infocentros, se forem efetivadas as emendas de bancada dos deputados federais e senadores baianos, que numa compreensão supra-partidária apoiaram a iniciativa deste amplo programa”, explica Lucchesi.
O Programa é coordenado pelas secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI) e de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (SECOMP), mas conta com diversas parcerias com outros órgãos governamentais, prefeituras e Organizações Não Governamentais (ONGs).
Capacitação
Cada infocentro possui 10 computadores equipados com softwares livres e com acesso à internet através de banda larga, mas a instalação dos equipamentos é apenas parte do programa. Além de promover o acesso gratuito à internet, o Identidade Digital possui oficinas de informática com a meta de capacitar 80 mil pessoas até 2006. Para o secretário, que também preside o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de C&T, o objetivo dessas oficinas é “iniciar o cidadão na utilização de programas de informática e navegação na internet, através de uma formação sócio-educativa e contextualizada com a sua realidade”.
Foi numa das oficinas do programa que o estudante José Carlos Gomes da Silva, 16 anos, teve seu primeiro contato com a informática. Ele acredita que o certificado de conclusão do curso foi uma ferramenta importante para conseguir seu primeiro emprego como office boy, na Coelba.
A estudante Maiane Malaquias de Jesus, 17 anos, não freqüentou as oficinas do programa, mas acessa diariamente a internet num infocentro montado próximo a sua casa, na Chapada do Rio Vermelho, em Salvador. Ela faz um curso particular de informática e freqüenta o infocentro para atualizar e enviar seu currículo para empresas. Com isso, conseguiu uma vaga num curso de telemarketing. “Eu também venho imprimir os cartões de visita de minha mãe, que vende miçangas”, relata.
Berimbau Livre fornece softwares
O Identidade Digital utiliza softwares livres, programas de computador que possuem permissão para serem usados, copiados, distribuídos e modificados por qualquer pessoa. Além da redução dos custos, esses aplicativos oferecem maior estabilidade, liberdade de uso e uma manutenção mais simplificada. As soluções utilizadas nos infocentros foram customizadas pelo Projeto Berimbau Livre, adaptando os programas às necessidades de utilização nos centros do Identidade Digital.
O Projeto Berimbau Livre também é responsável pelo sistema de gestão, que controla os acessos, cadastros e gera todas as estatísticas e relatórios para o PID, o que permitirá avaliações do impacto do programa.

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