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sábado, outubro 1

Fóruns abordam experiências de Inclusão Digital na Bahia

26/09/2005
As iniciativas de inclusão digital em andamento na Bahia estão sendo abordadas no I Fórum Baiano de Inclusão Digital e no II Fórum baiano de Software Livre, que começaram hoje (26) e seguem até amanhã (27), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), na Paralela. Programas como o Identidade Digital, Tabuleiro Digital, Kabum e Velas Culturais, voltados para o acesso à Informática, foram apresentados e debatidos entre os participantes. Os fóruns estão sendo acompanhados em 23 municípios, através de videoconferência nos auditórios da Rede Educação, distribuídos pelo interior do estado.
O chefe de gabinete da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, Emerson Casali, destacou a ação do Governo do Estado com o programa Identidade Digital, que já instalou 100 Infocentros em 58 municípios baianos e será ampliado em 2006 atingindo 200 cidades baianas. “Nossa idéia não é apenas montar os Infocentros, mas qualificar o uso e instrumentalizar a população mais carente através de oficinas de informática”, declarou. Casali também pontuou que o programa deve avançar no acesso a serviços públicos, na mobilização das comunidades em torno de temas interessantes, no reforço da identidade cultural local e no desenvolvimento empresarial. Para o chefe de gabinete da Secti, a adoção dos softwares livres não é apenas uma estratégia para instrumentalizar a população com programas básicos e de acesso gratuito, mas também uma ação voltada para que pequenas e micro empresas adotem estes softwares para desenvolverem seus produtos e serviços.
O programa Identidade Digital foi iniciado no município de São Félix, no recôncavo baiano, em outubro de 2003. Atualmente, existem mais de 60 mil cidadãos cadastrados no programa. Já foram contabilizados mais de 500 mil acessos à Internet nos Infocentros em funcionamento. O Identidade Digital é coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e pela Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (Secomp), em parceria com outras secretarias de governo, prefeituras e ONGs. Cada Infocentro do programa dispõe de 10 computadores equipados com softwares livres e com acesso à Internet através de banda larga. Todos os softwares livres instalados nos computadores dos infocentros são disponibilizados através do Projeto Berimbau Livre, responsável também pelo sistema de gestão, que controla os acessos, cadastros e gera todas as estatísticas e relatórios, o que permitirá avaliações do impacto do programa.
Recursos federais contingenciados - Para o diretor da Faculdade de Educação (Faced) da UFBA e coordenador do programa Tabuleiro Digital, Nelson Pretto, o processo da inclusão digital no Brasil poderia avançar caso o Governo Federal aplicasse os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços Telefônicos (Fust), da ordem de R$ 5 bilhões, para alavancar iniciativas de inclusão. Segundo o diretor da Faculdade de Educação, esta verba está contingenciada para favorecer o superávit primário. “Nós continuamos batalhando para que possamos ter o mais breve possível a aplicação desses recursos. Recentemente houveram indícios de que estávamos conseguindo algum tipo de mecanismo para a aplicação, mas ainda não há nenhum dado concreto sobre isso”, declarou. Pretto concebeu o programa Tabuleiro Digital, que funciona a partir de terminais públicos de acesso à Internet instalados na Faced/Ufba. O objetivo é fornecer acesso aos alunos do Campus universitário e das comunidades próximas como Calabar, Alto das Pmbas e Federação.
Outro projeto apresentado nos Fóruns foi o Kabum, norteado pela ONG Cipó Comunicação Interativa. Criado há um ano e meio, o Kabum é uma oficina de informática avançada, que oferece para 80 jovens de oito bairros populares de Salvador a possibilidade de aprender a lidar com o vídeo, multimídia, fotografia, design e computação gráfica. De acordo com a coordenadora do projeto, Isabel Gouveia, “todas as ações da Cipó visam a mobilização social e reforçam a identidade dos jovens. A criatividade estimulada no desenvolvimento dos trabalhos e o software livre são duas ferramentas importantes”.
Velas Culturais – Em Jequié, uma iniciativa voltada para a inclusão digital surgiu em 1999, dotada de cinco centrais públicas de acesso à informática, chamadas de Velas Culturais. Estas unidades possuem 56 computadores, onde são realizadas atividades como oficinas de leitura e digitação, aulas de reforço de português, inglês e matemática, cursos de informática para alunos em tratamento psiquiátrico, atividades para crianças e cursos demandados pela comunidade, como o de manutenção de micros. De acordo com Hélio José Carmo, responsável pelo projeto, as Velas Culturais estão migrando de software proprietário para livre.
Amanhã serão apresentadas novas palestras e serão organizados grupos de trabalhos com desenvolvedores de softwares livres. Entre os temas, destaque para “Pedofilia Online”, a ser abordado pelo coordenador do site de denúncias Hotline BR, Thiago Tavares, e “Inclusão Digital”, que será apresentado pelo professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, André Lemos.