Bahia aposta em tecnologia - Jornal A Tarde
25/09/2005
Mercados
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Bahia aposta em tecnologia
De olho no crescimento do mercado, o Estado começa a investir em projetos que visam gerar emprego e renda
Cassandra Barteló
De olho no crescimento do mercado, o Estado começa a investir em projetos que visam gerar emprego e renda
Cassandra Barteló
A Bahia quer ingressar, de uma vez por todas, no mercado de tecnologia de ponta. Depois dos projetos do Condomínio Digital e do Parque Tecnológico de Salvador, ambos ainda em andamento, o Estado planeja abrigar o Centro de Alta Tecnologia e Inovação em Software, o Altis, que terá como primeiro cliente a gigante IBM. São iniciativas que podem gerar milhares de empregos e, o que é mais importante, bem remunerados, com salários acima da média. Só resta os projetos saírem do papel.
De olho no potencial nacional e nas grandes cifras registradas no mercado internacional, as empresas baianas começam a se mobilizar e o governo do Estado tem apoiado as iniciativas do segmento. “A Índia fatura, por ano, US$ 9 bilhões com serviços de software. O Brasil ainda tem uma participação diminuta, faturando apenas cerca de US$ 11 milhões”, observa o secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Rafael Lucchesi, que garante que a Bahia tem como principal vantagem mão-de-obra especializada.
O diferencial em relação a mão-de-obra foi exatamente o que fez com que a IBM fechasse a parceria com o Altis para investir no Estado. “A Bahia tem uma história de grandes corporações com pessoas qualificadas, principalmente no segmento financeiro. São pessoas que trabalharam em bancos extintos como Econômico e Baneb, que estão no Estado e outras que saíram e querem voltar. Em uma primeira análise, identificamos 230 pessoas com este perfil”, informa Vanda Scartezini, presidente do Altis.
O Altis acaba de ser criado com a missão de organizar o setor, reunindo empresas e instituições de ensino, prioritariamente para desenvolver e exportar software. A entidade surge em um momento considerado propício, levando-se em consideração que as pesquisas indicam crescimento do setor. Só o Altis deve investir até 2009 cerca de R$ 8 milhões na Bahia. Inicialmente, serão contratados entre 30 e 40 funcionários. Até 2007, a previsão é chegar a 400 contratações. Sem recursos – As cifras são ainda mais grandiosas nos projetos do Condomínio Digital e do Parque Tecnológico. O Condomínio, que funcionará como um órgão coordenador e articulador de projetos, no bairro do Comércio, prevê investimentos públicos e da iniciativa privada da ordem de R$ 22 milhões, com a possibilidade de gerar 2,5 mil empregos. Já o Parque Tecnológico, complexo produtivo industrial e de serviços de base científico-tecnológica a ser construído na Paralela, vai requerer recursos da ordem de R$ 100 milhões só em infra-estrutura e gerar até oito mil novos postos de trabalho, em um prazo de 15 anos.
Só que o único projeto que começou a sair do papel foi o Altis, que está selecionando pessoal para a parceria com a IBM e tem previsão de começar a funcionar no dia 3 de outubro, no Comércio. O Condomínio Digital, anunciado para começar a operar em 2006, ainda depende de verbas. “A pendência está na liberação do orçamento federal. Será o investimento público que vai estimular a iniciativa privada”, entende o secretário Rafael Lucchesi. Do total de R$ 22 milhões, R$ 5 milhões devem ser aplicados pelos governos estadual e federal e o restante, pelo empresariado local.
Já o Parque Tecnológico, a ser implantado na Paralela, será instalado em módulos e o primeiro deve começar a funcionar também em 2006. “O parque estará concluído em 12, 15 anos. É como ocorre em todo o mundo. Foi assim em Bilbao, na Espanha, e é assim em outras partes do mundo. Ele ficará em uma área de um milhão de metros quadrados”, comenta Luccheci, assegurando que o empreendimento, que contará com recursos públicos e privados, está dentro do cronograma previsto.
O momento é favorável aos novos projetos baianos. Um relatório do Ipsos Opinion (instituto de pesquisas especializado em levantamentos de mercado e de opinião), que pode ser encontrado no site da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Softex (www.softex.br), demonstra que 70% das empresas brasileiras pretendem aumentar a compra de software nos próximos anos. Realizado em nove países (Brasil, Coréia, Egito, Espanha, Estônia, Filipinas, Hungria, Indonésia e Malásia), o estudo indica que a mesma tendência é observada em todas as regiões, criando novas oportunidades de negócios para os desenvolvedores de software brasileiros.
De olho no potencial nacional e nas grandes cifras registradas no mercado internacional, as empresas baianas começam a se mobilizar e o governo do Estado tem apoiado as iniciativas do segmento. “A Índia fatura, por ano, US$ 9 bilhões com serviços de software. O Brasil ainda tem uma participação diminuta, faturando apenas cerca de US$ 11 milhões”, observa o secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Rafael Lucchesi, que garante que a Bahia tem como principal vantagem mão-de-obra especializada.
O diferencial em relação a mão-de-obra foi exatamente o que fez com que a IBM fechasse a parceria com o Altis para investir no Estado. “A Bahia tem uma história de grandes corporações com pessoas qualificadas, principalmente no segmento financeiro. São pessoas que trabalharam em bancos extintos como Econômico e Baneb, que estão no Estado e outras que saíram e querem voltar. Em uma primeira análise, identificamos 230 pessoas com este perfil”, informa Vanda Scartezini, presidente do Altis.
O Altis acaba de ser criado com a missão de organizar o setor, reunindo empresas e instituições de ensino, prioritariamente para desenvolver e exportar software. A entidade surge em um momento considerado propício, levando-se em consideração que as pesquisas indicam crescimento do setor. Só o Altis deve investir até 2009 cerca de R$ 8 milhões na Bahia. Inicialmente, serão contratados entre 30 e 40 funcionários. Até 2007, a previsão é chegar a 400 contratações. Sem recursos – As cifras são ainda mais grandiosas nos projetos do Condomínio Digital e do Parque Tecnológico. O Condomínio, que funcionará como um órgão coordenador e articulador de projetos, no bairro do Comércio, prevê investimentos públicos e da iniciativa privada da ordem de R$ 22 milhões, com a possibilidade de gerar 2,5 mil empregos. Já o Parque Tecnológico, complexo produtivo industrial e de serviços de base científico-tecnológica a ser construído na Paralela, vai requerer recursos da ordem de R$ 100 milhões só em infra-estrutura e gerar até oito mil novos postos de trabalho, em um prazo de 15 anos.
Só que o único projeto que começou a sair do papel foi o Altis, que está selecionando pessoal para a parceria com a IBM e tem previsão de começar a funcionar no dia 3 de outubro, no Comércio. O Condomínio Digital, anunciado para começar a operar em 2006, ainda depende de verbas. “A pendência está na liberação do orçamento federal. Será o investimento público que vai estimular a iniciativa privada”, entende o secretário Rafael Lucchesi. Do total de R$ 22 milhões, R$ 5 milhões devem ser aplicados pelos governos estadual e federal e o restante, pelo empresariado local.
Já o Parque Tecnológico, a ser implantado na Paralela, será instalado em módulos e o primeiro deve começar a funcionar também em 2006. “O parque estará concluído em 12, 15 anos. É como ocorre em todo o mundo. Foi assim em Bilbao, na Espanha, e é assim em outras partes do mundo. Ele ficará em uma área de um milhão de metros quadrados”, comenta Luccheci, assegurando que o empreendimento, que contará com recursos públicos e privados, está dentro do cronograma previsto.
O momento é favorável aos novos projetos baianos. Um relatório do Ipsos Opinion (instituto de pesquisas especializado em levantamentos de mercado e de opinião), que pode ser encontrado no site da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro – Softex (www.softex.br), demonstra que 70% das empresas brasileiras pretendem aumentar a compra de software nos próximos anos. Realizado em nove países (Brasil, Coréia, Egito, Espanha, Estônia, Filipinas, Hungria, Indonésia e Malásia), o estudo indica que a mesma tendência é observada em todas as regiões, criando novas oportunidades de negócios para os desenvolvedores de software brasileiros.
Cresce a expectativa do segmento
Entre os empresários e usuários baianos existe uma grande expectativa de ver estes projetos em funcionamento. “Não precisa ir muito longe. Recife já tem seu Porto Digital há muito tempo (o Porto Digital funciona com características similares às do Condomínio que deve ser implantado aqui). A Bahia começa agora este trabalho”, comenta Ricardo Freire, diretor de tecnologia da Preview, empresa que monta, no Pólo de Ilhéus, os computadores e periféricos que comercializa.
“A Bahia nunca se preocupou em desenvolver esta área. Só a partir da criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia é que a situação começou a mudar”, comenta o empresário Rubem Delgado, da ZCR, empresa de desenvolvimento de software. Diretor da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia de Informação, Software e Internet da Bahia (Assespro), ele pontua que, como conseqüência dos novos estímulos, seis empresas baianas se qualificaram e receberão, até o final do ano, certificação internacional.
Para o presidente da Associação de Usuários de Informática e Telecomunicação (Sucesu), Jorge Calmon Filho, as novas iniciativas fazem a Bahia dar um passo à frente. “Atrair a IBM para a área de informática tem o mesmo significado que a Ford para o setor automobilístico”, compara. Ele comenta que esta iniciativa, somada às outras que estão previstas, deve atrair novos empreendimentos e, certamente, estimular o desenvolvimento do setor no Estado.
Salários e qualificações estão acima da média
Entre as expectativas criadas em torno do novo mercado está a remuneração da mão-de-obra. Há quem acredite que os salários, superiores a R$ 2 mil e R$ 3 mil, devem contribuir até mesmo para impulsionar a economia do Estado. “É uma mão-de-obra especializada. Uma base empresarial forte beneficiará a área acadêmica e vice-versa”, salienta Camilo Teles, que é professor universitário da área de computação e diretor da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex).
Independentemente dos salários, mudanças já começam a acontecer na área acadêmica. Na Bahia, nos últimos quatro anos, o número de doutores passou de cinco para 40. “Hoje, já existem muitos cursos na área”, comenta Camilo, citando o estudo do professor Roberto Almeida Bittencourt da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), que fez um mapeamento dos cursos de computação e informática na Bahia e em Sergipe. São duas federais, quatro estaduais e 25 particulares. Ranking – Uma pesquisa realizada pela consultoria de Recursos Humanos Mercer Human Resource Consulting, publicada no site da Softex, demonstra que o Brasil é o terceiro país da América Latina que melhor remunera os gerentes de Tecnologia da Informação (TI), perdendo para México e Venezuela. De acordo com o levantamento, o salário médio anual dos gerentes de TI no Brasil é de US$ 43,1 mil, ou cerca de R$ 102 mil, o equivalente a uma média de R$ 8,5 mil por mês.
No ranking mundial, o Brasil ocupa a 27ª colocação, ainda conforme o levantamento que pesquisou 5,3 mil empresas em todo o mundo e 188 companhias brasileiras. A melhor posição na lista mundial dos países é ocupada pela Suíça. Lá, o salário médio anual é de US$ 161,9 mil dólares, ou R$ 383,7 mil, representando R$ 31,9 mil em média mensalmente (com o dólar a cerca de R$ 2,36).
GLOSSÁRIO
z Informática - [Fr. Informatique Neo. formado pela junção das palavras Informer (informar) + Mathématique (matemática) + Électronique (eletrônica)] Termo criado por Philippe Dreyfus, em 1962, para designar a ciência que estuda o processamento da informação pelo computador.
z Software - [Ing. Soft = suave ware = utensílio]. Termo análogo a hardware. Conjunto de instruções, programas e dados a eles associados, empregados durante a utilização do computador. O mesmo que programa ou aplicativo.
z Tecnologia da Informação - Designação para o conjunto de tecnologias empregadas no processo da informação.
Fonte: Dicionário de Informática - DicWeb
REMUNERAÇÃO
A Suíça é o país que melhor remunera os profissionais que atuam na área de Tecnologia da Informação
Classificação País Salário (em US$/ano)
1 Suíça 161.8672 Alemanha 126.7043 Dinamarca 116.0464 Japão 112.2925 Bélgica 109.5916 Irlanda 108.7857 Reino Unido 105.6648 Hong Kong 97.5929 Itália 93.92010 Espanha 93.155 27 Brasil 43.100
Fonte: Mercer Human Resource Consulting
POTENCIALIDADE
As dez principais cidades para operação de serviços de TI
Por custos Por qualidade de mão-de-obra
1. Nova Délhi 1. Manilha2. Manilha 2. São Paulo3. Madras 3. Cidade do México4. Bangalore 4. Buenos Aires5. Buenos Aires 5. Nova Délhi6. Tianjin, China 6. Praga7. São Paulo 7. Kuala Lumpur8. Dalian, China 8. Xangai9. Bangcoc 9. Bangcoc10. Xangai 10. Bangalore
Fonte: Jones Lang LaSalle
SAIBA MAIS
Parque Tecnológico de Salvador
O parque será um complexo produtivo industrial e de serviços de base científico-tecnológica, na Paralela. Em suas instalações, estarão empresas cuja produção se baseia em tecnologia elaborada nos centros de pesquisa e desenvolvimento vinculados ao parque. Mais informações podem ser obtidas no site www.parquesalvador.com.br.
Centro de Alta Tecnologia e Inovação em Software
O Centro de Alta Tecnologia e Inovação em Software, o Altis, é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), com sede no Comércio. O desafio de tornar a Bahia uma base mundial de desenvolvimento de software foi o principal motivador da sua criação. O Altis funcionará como base tecnológica capaz de dar as respostas esperadas às diversas empresas multinacionais que pretendam, em uma aliança estratégica com o setor de TI na Bahia, focar no Brasil a sua demanda de serviços. Outras informações podem ser obtidas no site www.altis.org.br.
Condomínio Digital
Primeiro complexo empresarial baiano na área de tecnologia de informação, o condomínio funcionará no antigo Instituto do Cacau, no Comércio, como um órgão coordenador e articulador de projetos cooperados de pesquisa e desenvolvimento, de estratégias de negócios e de programas de capacitação nas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Enfatiza pequenas empresas produtoras de software.
Primeiro complexo empresarial baiano na área de tecnologia de informação, o condomínio funcionará no antigo Instituto do Cacau, no Comércio, como um órgão coordenador e articulador de projetos cooperados de pesquisa e desenvolvimento, de estratégias de negócios e de programas de capacitação nas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Enfatiza pequenas empresas produtoras de software.

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