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quarta-feira, janeiro 18

Dinheiro parado - Jornal Nacional

[mais uma reportagem sobre esta novela... matéria exibida no dia 06/01/2006]
Quase R$ 4 bilhões que seriam para financiar a compra de computadores em escolas, bibliotecas e hospitais estão parados nos cofres públicos. É o que concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas da União.
São João de Meriti, Região Metropolitana do Rio. Um centro cultural para 600 mil habitantes. Gente como os pais de estudantes, com renda média de dois salários mínimos. Pesquisa lá, é feita de estante em estante.
“Apesar de o livro ser a base de tudo, a internet é uma grande ajuda”, diz uma aluna.
Lá, na biblioteca do centro cultural, estão mais de seis mil livros. A biblioteca não é informatizada e também não tem computador ligado à internet.
Na mesma situação desta biblioteca estão hospitais e 13 mil escolas públicas do Brasil. No entanto, existe dinheiro. Os R$ 3,6 bilhões do Fust, o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações.
O dinheiro do fundo, criado em 2000, vem principalmente de 1% da conta de telefone. O valor é repassado ao governo. Cerca de R$ 800 milhões por ano. Mas nem um centavo foi gasto até hoje e o Tribunal de Contas da União quis saber por quê.
A principal causa da ausência de aplicação dos recursos, segundo o relatório, é a incapacidade do governo em definir políticas e prioridades.
“Esse dinheiro ficou sendo utilizado na formação de superávit primário, nos pagamentos de encargos da dívida e nós temos que encontrar, o governo terá que encontrar um caminho de repor estes recursos e é necessário que os aproveite de forma adequada e conveniente", diz Ubiratan Aguiar, ministro do TCU.
Um dos caminhos: computadores ligados à internet em escolas, bibliotecas e hospitais.
“Ensinar as pessoas a ler e a escrever, junto com a alfabetização digital é o que nós deveríamos estar fazendo nas escolas públicas do nosso país”, defende Rodrigo Baggio, Centro para Democratização da Informática.
Dos quase R$ 4 bilhões, R$ 650 milhões já têm destino em 2006, segundo o ministro das Comunicações.
"Em princípio serão aplicados na universalização do sistema, ou seja, fazer chegar o telefone onde ele não chegou. Nós temos que fazer com que toda escola, todo hospital, todo posto de saúde, todo serviço público tenha telefone, é fundamental que isso aconteça", afirmou Helio Costa, ministro das Comunicações.